Fortalecer organizações de Economia Solidária e promover o desenvolvimento social e a erradicação da pobreza estão entre os objetivos das Feiras da Agricultura Familiar e de Economia Solidária.

Incentivado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, por meio da Secretaria Nacional de Economia Solidária e pela Secretaria Estadual do Trabalho e Assistência Social (Setas), o projeto Ecosol é desenvolvido pelas secretarias municipais de Assistência Social, que formam parcerias locais e idealizam as feiras.

No Tocantins, 503 empreendimentos estão cadastrados nesta modalidade e a cidade de Araguatins se destaca na região do Bico do Papagaio, pois a  Feira vem se desenvolvendo como um local de compra consciente, sem disputa de preços, que envolve diretamente quem produz e quem compra, fortalecendo relações de amizade e fidelização, além de ser um espaço de interação social.

Feira de Araguatins

Feira da Economia Solidária de Araguatins

Frutas, hortaliças, comidas típicas, artesanato e outros produtos estão movimentando o espaço em frente a rodoviária da cidade de Araguatins. Todos as quartas-feiras, das 16h às 22h, produtores locais promovem a Feira de Economia Solidária, com intuito de fortalecer o vínculo comunitário e a geração de renda. A feira a céu aberto, teve início há oito meses com cerca de 30 expositores, hoje já são cerca de 200 participantes.

Esse crescimento vem gerando emprego e renda e mostrando o que os os produtores rurais têm de melhor. Como explica no vídeo, a Gerente de Inclusão Produtiva da Ecosol, Layse Shuellen de Almeida.  

Economia

Negociação é feita diretamente com o produtor

Do ponto de vista econômico, ao mesmo tempo em que a feira amplia a disponibilidade de produtos para a comunidade, também proporciona poder de compra aos produtores que levam seus produtos ao mercado, monetizando parte de sua produção e consequentemente aumentando o leque de bens que eles podem ter a sua disposição.

O economista Fernando Jorge, explica que  ações como essas são positivas. “Além do preço mais em conta, o simples fato dos produtos não passarem pela necessidade de um tempo de vida longo, fazem com que eles estejam mais livres de químicos necessários para aumentar sua conservação”. O professor também considera importante a formalização obtida por meio do projeto, pois estabelece uma maior responsabilização dos produtores. “Se o produto carrega um nome de uma marca, isso leva maior reputação do produto, permitindo com que os consumidores tenham mais conforto e menos receio em consumir”.


“A comunidade tem a consciência de que adquirindo esses produtos, está ajudando a dar condições de vida aos produtores locais”.

Desde sua implantação, a Feira Ecosol contou com muito avanços, como localização fixa em frente a rodoviária e o registro definitivo por meio de um decreto municipal, tornando-se a primeira feira de economia solidária devidamente registrada no estado. Um dos pontos principais destacados no documento que regulamenta a feira, estabelece que os participantes devem comprovar residência no município, garantindo assim a distribuição de renda no município.

Agrotóxicos  

Um ponto que pode ser considerado negativo, é que o uso de agrotóxicos ainda está presente nas lavouras que abastecem a feira e não existe um mecanismo de controle sobre seu uso.

Mas segundo a coordenadora Layse, esses problemas se dão por se tratar de um projeto recente “há previsão de criação de uma comissão para acompanhar a forma de trabalho de cada agricultor, bem como a realização de capacitações em parceria com o Ruraltins, para instruir os mesmos sobre o manuseio, uso e descarte de produtos”, comentou.

Para Daniel Fragoso, pesquisador da EMBRAPA, a agricultura familiar é muito importante para o desenvolvimento de uma comunidade e do país, pois fixa o agricultor e sua família no campo, gera emprego e renda e contribui na produção de alimentos básicos e menos competitivos para agricultura empresarial, garantindo assim a segurança alimentar. Com relação ao uso de agrotóxicos nas lavouras, Fragoso afirma que a forma correta e segura de sua utilização deve seguir adequadamente as normas da legislação Brasileira.

“O uso das substâncias é visto pela sociedade de maneira distorcida e negativa, porém os agrotóxicos evoluíram e hoje os produtos são mais modernos e menos prejudiciais ao meio ambiente”. Apesar dessa afirmação o pesquisador relatou que não aconselha o uso desordenado e sem critérios, pois o uso de forma não segura pode trazer consequências.

Já para Romier de Sousa, presidente da Associação Brasileira de Agroecologia (ABA-Agroecologia), o uso destes produtos em todo o mundo tem gerado inúmeros impactos negativos para a saúde humana.

Em uma de suas pesquisas realizadas nas lavouras de agricultura familiar no nordeste do estado do Pará, Romier conta que seu grupo de estudo obteve duas conclusões acerca do uso de agrotóxicos. “A primeira conclusão, diz respeito ao grande risco à saúde das pessoas no campo, que manuseiam diretamente os produtos químicos e, aos que por ventura possam consumir os alimentos produzidos com este tipo de insumo. Já a segunda, refere-se aos impactos negativos gerados ao meio ambiente em decorrência das características e emprego em escala desses venenos”, afirmou.

“O uso crescente dos agrotóxicos tem refletido em índices preocupantes que tem gerado implicações negativas tanto para a saúde das pessoas envolvidas quanto para o meio ambiente”.

O Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional é o órgão do Governo federal que garante a confiabilidade dos produtos orgânicos. Porém, os produtores rurais ainda encontram dificuldades para se enquadrarem nas normas, principalmente pela falta de incentivos financeiros. Durante o processo de certificação, o Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade Orgânica (Opac), realiza uma auditoria e fiscalização, em que a entidade faz uma visita e avaliam a propriedade produtora. A partir desta auditoria, se tudo estiver dentro das condições exigidas, haverá a emissão do certificado orgânico.

O Bem-Estar Social

De sacola cheia, a professora Keila Maria, disse que a feira já faz parte da sua programação semanal em família.

Keila Maria fez da feira uma tradição semanal

“Aqui eu compro o que gosto, lancho, janto com os filhos e encontro os amigos. Para mim, foi uma das melhores coisas que já aconteceu em nossa cidade”

Já o para seu Parazinho da Silva, que produz poupas de frutas na zona rural, a criação da feira faz muita diferença

Parazinho é vendedor acíduo

“Na feira a gente negocia direto com os compradores e garante uma boa renda. Assim a gente só tem mesmo é que ficar feliz”

O desenvolvimento econômico e social gerado pela Feira da Economia Solidária, despertou o interesse da mestranda em Desenvolvimento Rural e Gestão de Empreendimentos Agroalimentares, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Pará, Aline Correia Silva de Oliveira, que produziu um artigo científico sobre o tema, com o objetivo de medir a satisfação dos consumidores.

A pesquisa também mostrou, por quais veículos de comunicação a comunidade tomou conhecimento da Feira  e um dado importante comprovado foi a presença feminina, mostrando que a mulher já ocupa um lugar de grande importância em relação ao orçamento familiar.

Apesar de ainda contar com deficiências, o projeto que possibilitou a implantação da Feira de Araguatins, deu um grande salto em seu pouco tempo de existência e vem se firmando como fortalecedora das organizações de Economia Solidária na região, se tornando modelo para o surgimento de outros projetos para o Tocantins, em especial a região do Bico do Papagaio.

Por Léo Cândido e Fran Alcântara/Disciplina de Jornalismo Especializado I – UFT – Com orientação da professora Dra. Lucia Helena Mendes Pereira.

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